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NR-107 de maio de 20264 min

Pesquisa de clima vale como avaliação psicossocial na NR-1?

Spoiler: não substitui. Mas bem feita, vira prova de conformidade NR-1 em 2026. Veja como aplicar pesquisa de clima válida antes da fiscalização punir.

Lembre-se: NR-1 mal cuidada custa caro em 3 lugares

Trabalhista: processos por assédio (R$ 30k–500k por funcionário). Fiscal: multa do MTE (R$ 670 a R$ 6.708 por item, até ~R$ 28 mil numa fiscalização de PME). Previdenciária: NTEP, FAP e ação regressiva do INSS quando doença psicossocial é reconhecida. Veja as 3 frentes →

Pesquisa de clima não é avaliação de risco psicossocial. Ponto. Mas se você fizer direito, ela vira uma das melhores provas de conformidade NR-1 que sua empresa pode ter em mãos quando o auditor bater na porta em maio de 2026.

O problema é que a maioria das empresas que tô vendo por aí tá confundindo as duas coisas. Mandam um Google Forms genérico com 10 perguntas, recebem as respostas, arquivam no Drive e acham que cumpriram a NR-1. Não cumpriram. E em 26 de maio de 2026, quando o período educativo acaba e a fiscalização vira punitiva (Portaria MTE 765/2025), esse tipo de "pesquisa de clima" não vai segurar nada.

O que a NR-1 realmente exige (e o que o MTE disse em maio/2026)

O MTE publicou em maio de 2026 um guia de perguntas e respostas que esclareceu uma coisa importante: não existe metodologia obrigatória. A empresa pode usar pesquisa de clima, entrevistas, observação direta ou questionários validados tipo COPSOQ-BR. O que a fiscalização vai cobrar é fundamentação técnica e documentação no PGR.

Ou seja: a pesquisa de clima pode entrar como ferramenta complementar de identificação de fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho (FRPRT). Mas precisa estar amarrada a um processo maior, a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) da NR-17, e gerar plano de ação documentado.

O que diferencia uma pesquisa de clima válida de uma inútil

Uma pesquisa que conta pra NR-1 precisa, no mínimo:

  • Cobrir os FRPRT específicos que a Portaria MTE 1.419/2024 cita: sobrecarga, metas abusivas, assédio moral e sexual, falta de autonomia, conflitos interpessoais, jornadas extensas, ausência de suporte
  • Garantir confidencialidade real (e não aquela coisa de "anônimo" mas o RH sabe quem respondeu pelo IP)
  • Ter recorte por setor/equipe, porque risco psicossocial não é uniforme. O time de cobrança sofre coisa diferente do time de TI
  • Gerar evidência técnica assinada por profissional competente (não precisa ser profissional de saúde mental fixo, conforme o MTE deixou claro)
  • Virar plano de ação no PGR com prazos, responsáveis e indicadores

Sem isso, é papel de parede. E papel de parede não vence ação trabalhista.

O exemplo da padaria com 18 CLT em Belo Horizonte

Imagina uma padaria em BH com 18 funcionários CLT. Dona Maria, a gerente, manda uma pesquisa pelo WhatsApp: "De 1 a 5, como você se sente no trabalho?". 14 pessoas respondem 4 ou 5. Ela imprime, guarda na pasta. Acha que tá tudo certo.

Em junho de 2026, um padeiro entra com ação alegando burnout. O TST tem entendimento de nexo causal presumido em casos de falha na gestão de riscos (art. 927, parágrafo único, CC c/c art. 7º, XXVIII, CF/1988). O juiz pede o PGR com avaliação dos FRPRT. A Maria mostra o WhatsApp.

Resultado provável: ônus da prova distribuído contra a empresa, indenização entre R$ 50 mil e R$ 300 mil, mais multa NR-28 que pode ir de R$ 1.264,53 a R$ 12.645,30 pela ausência de PGR adequado, dobrada em reincidência.

A pesquisa existiu. Mas não tinha validade técnica nenhuma.

Como estruturar a pesquisa pra valer

Na nossa visão, o caminho mínimo viável é esse:

  1. Use questionário validado ou construa um baseado nos FRPRT da Portaria 1.419/2024. COPSOQ-BR é a referência mais sólida hoje
  2. Aplique com periodicidade definida (anual, no mínimo) e documente a metodologia no PGR
  3. Cruze com outras fontes: atas de CIPA, canal de denúncias da Lei 14.457/2022, afastamentos por CID F (transtornos mentais)
  4. Gere relatório técnico com identificação dos riscos, avaliação de probabilidade e severidade, e medidas de controle
  5. Integre na AEP da NR-17, isso o MTE deixou explícito no guia de maio/2026

E guarda tudo. Pesquisa, relatório, plano de ação, evidência de comunicação aos empregados, atas das reuniões onde isso foi discutido. Em 2024, mais de 472 mil brasileiros se afastaram por transtornos mentais (Ministério da Previdência Social). O MPT não está vinculado ao prazo educativo e já atua em teleatendimento, bancos e saúde. Não tem pra onde correr.

Onde o Zakto entra

O lance é: estruturar pesquisa de clima válida, integrar com AEP, gerar relatório técnico e manter o PGR atualizado é trabalho contínuo, não projeto de uma vez. A operação Zakto cuida disso ao longo do ano, com Consultor dedicado, por uma fração da multa NR-28 mais barata. Se sua empresa tem CLT e ainda não tem isso rodando, dá pra conversar.

Fontes: Portaria MTE nº 1.419/2024; Portaria MTE nº 765/2025; Guia de Perguntas e Respostas MTE (maio/2026); Lei 14.457/2022; Lei 14.831/2024; NR-28; TST, matéria sobre saúde mental no trabalho; Ministério da Previdência Social.

Zakto, Cobre os 3 riscos da NR-1

NR-1 mal cuidada custa caro em 3 lugares.

Processo trabalhista por assédio. Multa do Ministério do Trabalho. Doença ocupacional no INSS. A Zakto cobre os 3 por R$ 97/mês.

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