Antes de fazer qualquer coisa: matriz de risco não é planilha bonita pra impressionar fiscal. É a parte do PGR que o auditor abre primeiro. Se não bate com o que ele vê na empresa, todo o resto cai junto.
Vou direto ao que importa pro dono de empresa pequena ou média que precisa avaliar risco psicossocial sem virar engenheiro de segurança.
Os dois eixos da matriz
Severidade é o tamanho do estrago se o risco virar problema. Vai de 1 (impacto mínimo, dor de cabeça pontual) a 5 (consequência grave, afastamento médico, processo trabalhista, doença ocupacional reconhecida pelo INSS).
Probabilidade é o quanto provável o risco acontecer. Vai de 1 (remoto, quase nunca aconteceu na empresa) a 5 (frequente, é tipo certo se nada mudar).
Multiplica os dois. Resultado: o risco prioritário, de 1 a 25.
A escala que o MTE usa
A NR-1 não cravou números fixos pra escala, mas a Portaria MTE 1.419/2024 e a doutrina técnica convergiram numa matriz 5×5 que virou padrão:
Severidade
- Insignificante. Estresse pontual, mal-estar passageiro.
- Leve. Queda de produtividade, conflito interpessoal isolado.
- Moderada. Afastamento curto (até 15 dias), denúncia interna.
- Grave. Afastamento prolongado, ação trabalhista por assédio.
- Catastrófica. CID-F reconhecido pelo INSS (NTEP), suicídio relacionado ao trabalho, ação coletiva do MPT.
Probabilidade
- Remota. Não aconteceu nos últimos 3 anos.
- Improvável. Pode acontecer, mas raro.
- Possível. Já aconteceu pelo menos uma vez.
- Provável. Acontece a cada poucos meses.
- Frequente. Recorrente. Faz parte da rotina.
Exemplo prático: padaria com 8 funcionários
Imagina uma padaria. Padeiro chega 4h, atendente 6h, abre 7h. Liderança aperta meta de venda diária. Aqui:
| Risco | Severidade | Probabilidade | Score | |---|---|---|---| | Sobrecarga de jornada (chegada cedo + meta + sem revezamento) | 3 | 5 | 15 | | Comunicação hostil entre colegas | 2 | 3 | 6 | | Dificuldade de pausa (banheiro, almoço) | 3 | 4 | 12 | | Falta de apoio pra picos (Natal, Páscoa) | 2 | 4 | 8 | | Dispensa sem feedback | 4 | 2 | 8 |
Os dois prioritários (≥10) entram no plano de ação. Os outros entram no relatório com observação de monitoramento.
Onde a maioria erra
Subestima severidade. "Ah, isso é só estresse." Cuidado: estresse crônico vira CID-F. CID-F vira NTEP. NTEP vira FAP × 2 por anos. Severidade 5.
Superestima probabilidade. Marca tudo como 5 porque "todo mundo já reclamou disso". Aí o plano de ação fica impossível. Use evidência: pesquisa de clima, número de afastamentos, denúncias no canal.
Mistura escala. Empresa começa com matriz 3×3, depois passa pra 5×5. Auditor lê os dois e percebe que ninguém entendeu. Escolha uma e mantém.
Não documenta justificativa. Score 15 sem dizer por quê é frágil em juízo. Anota o motivo. "15 porque pesquisa de clima Q4/2025 apontou 60% dos atendentes sentindo sobrecarga, e 3 afastamentos por ansiedade nos últimos 6 meses."
Como a Zakto faz isso
Cliente Zakto não preenche matriz manualmente. A pesquisa de clima COPSOQ-BR roda automática no celular dos funcionários. As respostas alimentam um cálculo de severidade e probabilidade por fator psicossocial. Saída: matriz pronta, com justificativa estatística e plano de ação ranqueado por score.
Não é template Excel. É operação contínua: a cada onda nova de pesquisa, a matriz atualiza. O dono aprova ou ajusta. O auditor encontra documento vivo, datado, com história.
NR-1 resolvida. Sem complicação.
Fontes: Portaria MTE 1.419/2024, NR-1 itens 1.5.4 e 1.5.5, doutrina técnica em SST, COPSOQ-BR Brasil