Na empresa familiar, as coisas funcionam diferente. O dono é o pai. O gerente é o cunhado. O financeiro é a esposa. E a sobrinha que acabou de entrar é "praticamente da família".
Bonito? Às vezes. Arriscado pra NR-1? Sempre.
O problema que ninguém vê
Quem vai denunciar o assédio do gerente se o gerente é irmão do dono? Quem reclama de sobrecarga se a dona é a sogra?
O canal de denúncias fica inútil quando todo mundo sabe que a denúncia cai na mão de alguém da família. E pesquisa de clima perde credibilidade se os funcionários acham que o dono vai descobrir quem falou.
E a lei?
Não faz distinção. Empresa familiar com CLT tem mesma obrigação que qualquer outra. PGR, pesquisa, canal, treinamento, comitê, tudo.
E olha: empresa familiar tende a ter MAIS risco psicossocial, não menos. A linha entre profissional e pessoal é borrada. Cobrança no trabalho vira briga no almoço de domingo. Promoção vai pro filho, não pro mais competente. E ninguém fala nada porque "é família".
3 armadilhas
"Aqui todo mundo é amigo", Pra família, talvez. Pra quem não é, pode ser ambiente onde ninguém se sente à vontade.
"Não precisa de canal, é só vir falar comigo", Se "comigo" é o dono casado com a gerente que é a causa do problema, não funciona.
"Pesquisa de clima pra quê? Conheço minha equipe", Conhece o que mostram. Não o que sentem.
O que fazer diferente
Canal de denúncias externo. Pesquisa com anonimato real. Comitê de ética com pelo menos 1 pessoa sem laço familiar com a diretoria.
Parentesco não blinda de multa. E muito menos de processo.
Fontes: NR-1, Lei 14.457/2022, CLT