Toda semana algum contador me pergunta a mesma coisa: "Tá, entendi que NR-1 virou obrigação. Mas como eu cobro isso?"
Justo. Porque o escritório contábil tá numa posição privilegiada, o cliente já confia, já paga mensalidade, já liga pra tirar dúvida trabalhista. Adicionar conformidade NR-1 no pacote é quase natural. O problema é que ninguém ensinou a precificar.
Então vou abrir o jogo. São 3 modelos que funcionam, com números reais.
Modelo 1: Por funcionário
Funciona bem pra escritórios que atendem empresas de tamanhos variados. Você cobra um valor fixo por cabeça.
Referência de mercado: R$ 8 a R$ 15 por funcionário/mês. Empresa com 20 funcionários paga entre R$ 160 e R$ 300/mês. Simples, fácil de explicar, escala junto com o cliente.
O ponto fraco: empresa com 3 funcionários gera receita baixa. Aí você precisa de um mínimo.
Modelo 2: Por empresa (faixa fixa)
Tabela de referência baseada no que a gente vê praticado no mercado:
Até 10 funcionários: R$ 99 a R$ 149/mês. De 11 a 25: R$ 149 a R$ 249/mês. De 26 a 50: R$ 249 a R$ 399/mês. De 51 a 100: R$ 399 a R$ 599/mês. Acima de 100: negociação individual.
Esse modelo é o mais usado. O cliente entende rápido, você não precisa ficar recalculando todo mês quando alguém entra ou sai.
Modelo 3: Pacote embutido na mensalidade
Meu favorito. Você não vende NR-1 separado, embute no valor da contabilidade. Aumenta a mensalidade em R$ 50 a R$ 100 e pronto.
O cliente nem percebe como custo extra. E você não precisa ter a conversa de "vou te cobrar mais uma coisa". É reajuste natural.
Um escritório em Campinas com 30 clientes PME fez exatamente isso. Acrescentou R$ 50 por empresa na mensalidade, reposicionou o serviço como "gestão trabalhista completa". Resultado: R$ 1.500/mês de receita nova. Sem contratar ninguém, sem mudar processo. Só plugou o serviço e redistribuiu uma tarefa pra estagiária do DP.
Como calcular o ROI pro cliente
Aqui é onde você vende. O cliente não quer pagar R$ 200/mês por conformidade. Mas ele quer evitar uma multa de R$ 6.000.
A conta é brutal: uma única multa da NR-28 por item custa entre R$ 670 e R$ 6.708, dependendo do porte. Se o auditor pegar 3 itens faltando numa empresa de 30 funcionários, são R$ 8.913 de uma vez. Com reincidência, dobra.
Então o argumento é: "Você prefere investir R$ 200/mês ou arriscar R$ 17.826 quando o fiscal bater na porta?"
Nenhum empresário racional escolhe a segunda opção. E se escolher, pelo menos você avisou (e documentou que avisou).
Dica final: não ofereça de graça
Tem contador que acha que precisa dar NR-1 de graça pra não perder cliente. Péssima ideia. Primeiro porque desvaloriza o serviço. Segundo porque o cliente que ganha de graça não dá valor, não responde pesquisa, não faz treinamento, não usa o canal.
Cobra. Mesmo que seja pouco. Cliente que paga se compromete. E escritório que cobra sobrevive.
Fontes: NR-28 Anexo I, Portaria MTE 1.419/2024, dados de mercado contábil 2025-2026