Auditor bate na porta, pede o COPSOQ-BR e você não tem. Respira. A primeira coisa que precisa entrar na sua cabeça: o COPSOQ-BR sozinho não te salva, e a falta dele sozinho não te condena. O lance é entender o que o auditor REALMENTE quer ver.
Desde 26 de maio de 2025 a gente tá em período educativo da nova NR-1 (Portaria MTE 765/2025). Sem multa. Mas a fase punitiva começa em 26 de maio de 2026, e os auditores já estão circulando, pedindo documento, fazendo recomendação por escrito. Quem ignorar o aviso agora vai pagar caro depois.
O que o auditor quer ouvir (e o que NÃO falar)
Se ele pediu o COPSOQ-BR especificamente, é porque ouviu falar do questionário, sabe que é validado no Brasil (estudo de 2021) e tá usando como atalho mental pra checar se você cuida de risco psicossocial. Mas atenção: o próprio MTE, no documento Perguntas e Respostas GRO-PGR (abril/2026), diz com todas as letras que questionário padronizado isolado NÃO comprova gestão de risco psicossocial.
Então, o que dizer:
- Não minta. Nunca diga que aplicou se não aplicou. Auditor cruza dado, pede ata, pergunta pro trabalhador.
- Mostre o que você TEM. PGR atualizado? Inventário de risco? Ata da CIPA falando de carga de trabalho? Junta tudo.
- Fale o nome certo: "a gente tá em fase de implementação do gerenciamento de fatores de risco psicossocial (FRPRT), integrado com a Avaliação Ergonômica Preliminar da NR-17". Isso mostra que você sabe do que se trata.
- Peça prazo. Auditor pode lavrar notificação com prazo de adequação antes do auto. Use isso.
O que NÃO falar: "vou aplicar um Google Forms", "meu RH cuida disso", "a gente tem ginástica laboral". São respostas que entregam que você não entendeu a norma.
A janela que você ainda tem antes do auto
Se o auditor já lavrou o Auto de Infração, você tem 10 dias corridos pra apresentar defesa escrita ao Superintendente Regional do Trabalho (fonte: eCPMR/SIT). Prazo não começa nem termina em fim de semana ou feriado. Depois vai pra Unidade de Multas e Recursos (UMR) e, se perder, cabe recurso pra Coordenação-Geral de Recursos (CGR).
Mas o ideal é não chegar no auto. Se ele saiu com uma notificação de recomendação ou um termo de compromisso, você tem fôlego pra montar o pacote mínimo.
O pacote mínimo que segura a barra
Na nossa visão, isso aqui é o kit de sobrevivência pra mostrar que existe gestão, não só papel:
- PGR atualizado com seção específica de FRPRT (excesso de demanda, assédio, falta de suporte, jornada, conflito de papel).
- Inventário de risco psicossocial por setor e função. Padaria com 3 CLT tem um inventário simples. Indústria com 400 tem outro. Mas tem que existir.
- Matriz de risco com gravidade e probabilidade documentadas.
- Plano de ação com meta, responsável e prazo. Não pode ser "até dezembro". Tem que ser específico.
- Evidências de execução: ata de CIPA discutindo o tema, treinamento de liderança contra assédio (Lei 14.457/2022), registro de pausas, comunicação interna.
- Integração com NR-17: Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) feita e, se acionar gatilho, Análise Ergonômica do Trabalho (AET).
O COPSOQ-BR, se você quiser usar, entra como UMA ferramenta de coleta dentro desse processo. Não substitui. E precisa garantir anonimato, envolver alta administração, CIPA e trabalhadores (Guia de FRPRT do MTE, 2025).
Por que isso virou prioridade número 1
Em 2024 foram mais de 472 mil afastamentos por transtorno mental no Brasil, alta de 68% nos benefícios por incapacidade temporária ligados à saúde mental. O auditor não tá perguntando por COPSOQ-BR à toa: existe pressão política, dado de INSS, e a NR-1 virou alvo declarado da inspeção pra 2026.
Multa por item descumprido na NR-28 (Portaria MTE 104/2026) vai de R$ 1.610,12 a R$ 6.708,08, com média de aplicação entre R$ 1.700 e R$ 5.200. Empresa autuada em 2025 pagou em média R$ 18.400 por irregularidade em SST. E isso é só a multa, sem contar ação civil pública, indenização individual e responsabilização criminal se tiver afastamento por CID F sem avaliação prévia.
Recuperar antes do auto: cronograma realista
Se você tá lendo isso e ainda não foi fiscalizado, tem 30 a 60 dias úteis pra montar tudo. Se já tomou notificação, tem o prazo do termo (geralmente 30 a 90 dias). Se já tomou auto, foca na defesa em 10 dias e em paralelo monta o programa pra reduzir reincidência.
O Zakto resolve esse ciclo completo (diagnóstico FRPRT, PGR, plano de ação e atendimento de saúde mental aos trabalhadores) como operação contínua, por uma fração da multa mais barata da NR-28. Mas tendo Zakto ou não, faz. O auditor não vai voltar pra te dar segunda chance em 2026.
Fontes: Portaria MTE nº 1.419/2024; Portaria MTE nº 765/2025; Portaria MTE nº 104/2026 (NR-28); Lei nº 14.457/2022; NR-1 GRO Perguntas e Respostas MTE (https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/canpat-2/canpat-2025/perguntas-e-respostas-gro-pgr-1a-rodada.pdf); Manual GRO/PGR da NR-1 MTE (https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/manuais-e-publicacoes/manual_gro_pgr_da_nr_1.pdf); Guia de FRPRT MTE 2025; Perguntas Frequentes Inspeção do Trabalho MTE; Instruções Auto de Infração eCPMR/SIT (https://eprocesso.sit.trabalho.gov.br/Instrucoes/RecebiUmDocumento/AutoDeInfracao).