"Aqui na minha empresa qualquer um pode vir falar comigo. Minha porta tá sempre aberta."
Já ouvi essa frase de uns 200 donos de empresa. E vou te dizer: não funciona. Nunca funcionou. E agora, com a NR-1, pode te dar problema.
Por que não funciona
Medo, O funcionário quer denunciar assédio do gerente. O gerente é amigo do dono. O funcionário vai na "porta aberta" do dono e fala? Claro que não. Tem medo de represália, de ser visto como "problemático", de perder o emprego.
Poder, Existe uma coisa chamada assimetria de poder. O dono é quem paga o salário, decide promoção, faz demissão. Nenhuma pessoa racional vai denunciar algo sério diretamente pra quem tem poder sobre ela. A não ser que esteja desesperada.
Prova, Mesmo que alguém vá e fale, não tem registro. Não tem protocolo. Não tem número de denúncia. Se vira processo, a empresa não tem nada documentado.
O que o auditor quer ver
Canal formal, anônimo, com registro. Não é conversa no café. É canal que recebe denúncia sem identificar quem mandou, gera protocolo, permite acompanhamento e fica documentado.
"Porta aberta" não é canal de denúncias. É boa intenção sem estrutura.
A diferença na prática
Empresa A: "pode vir falar comigo". Funcionária sofre assédio, não fala, pede demissão, processa. Indenização de R$ 150 mil. Empresa não tem nada pra mostrar como prevenção.
Empresa B: canal anônimo digital. Mesma situação, mas a funcionária denúncia pelo celular. Comitê investiga, resolve, documenta. Sem processo, sem surpresa, sem custo milionário.
A intenção é boa. Mas intenção não te defende no tribunal. Estrutura defende.
Fontes: Lei 14.457/2022, NR-1, jurisprudência TST