Deixa eu adivinhar: ele disse que "tá doente". De novo. Na segunda-feira. Pela terceira vez no mês.
Você sabe que é mentira. Ele sabe que você sabe. Mas ninguém fala nada. O time inteiro cobre, fica sobrecarregado, e o cara aparece na terça como se nada tivesse acontecido.
Isso tem nome: absenteísmo crônico. E custa caro. Um estudo da ABRH mostrou que o Brasil perde mais de R$ 230 bilhões por ano com faltas e presenteísmo. Sua empresa é uma fatia disso.
Mas antes de sair demitindo por justa causa (calma), tem umas coisas que você precisa entender.
Nem sempre é malandragem
Às vezes é mesmo. Mas em boa parte dos casos, a falta recorrente é sintoma de algo maior. Pode ser problema pessoal, alcoolismo, violência doméstica, filho doente. Pode ser problema no trabalho, o cara detesta o chefe, tá esgotado, o ambiente é insuportável.
E aí entra a NR-1: risco psicossocial. Se o funcionário tá faltando porque o ambiente é tóxico e você não fez nada pra identificar isso, adivinha de quem é a responsabilidade.
O que a CLT diz
Até 5 faltas injustificadas no mês? Desconta do salário e do DSR. Mais de 5 dias consecutivos sem justificativa? Pode ser abandono de emprego, mas tem que notificar formalmente.
Justa causa por desídia (Art. 482, "e") é possível, mas você precisa de histórico documentado. Advertência verbal, advertência escrita, suspensão. Se pular etapas, vira processo.
O que funciona de verdade
Conversa. Não a conversa de "vou te mandar embora", mas a de "o que tá acontecendo?" Parece simples demais pra ser útil? Pois é. Mas na minha experiência, 6 em cada 10 casos de absenteísmo crônico melhoram quando alguém pergunta de verdade o que tá errado.
Se for problema de saúde mental, a empresa tem obrigação de encaminhar. Se for o ambiente, a empresa tem obrigação de investigar. E documentar tudo, porque o dia que rolar processo (e sempre rola), a documentação é o que te salva.
Fontes: CLT Art. 473, 482; ABRH 2024; NR-1